Da fotografia simétrica à fotografia sinestésica!
Papo de Fotógrafo · episódio 164 · 30/01/2017 · com Rafael Benevides
Olá papudos!
Quem disse que precisamos sempre sermos as mesmas pessoas ou manter os nossos estilos?
No bate-papo de hoje, vamos conversar com um ‘Homem de Fases’, o fotógrafo Rafael Benevides, que em sua carreira tem momentos bem marcados pelo aprendizado e estilos de fotografia completamente diferentes.
O título ‘Da fotografia simétrica à fotografia sinestésico’ é o resumo de como a composição da sua fotografia passou de algo estético para algo a ser sentido.
Desligue-se de qualquer atividade e ouça o episódio de coração e mente aberta!
O que falamos durante o programa
- Conhecendo a história de Rafael Benevides
- Fase 1: A simetria
- A importância da simetria na composição de uma imagem forte
- Simetria na pós-produção
- Fase 2: A luz
- O que é Semiótica?
- Conhecer a ferramenta para obter o resultado esperado
- O que é o NIT (Não ilumine tudo)?
- Fase 3: A Sinestesia
- O poder do envolvimento com as pessoas
- Inspiração: O ballet e a força das mãos
- Workshop Sentidos
> A fotografia bisturi
>
> Conhecer mais sobre o outro é na verdade se por em frente a um espelho.
> E nesse processo, ao contrário do Narciso, eu não me afogo, ao olhar de para o outro eu vejo a mim e não há vaidade ali e no final, estou mais leve, estou inundado por sentimentos lindos.
> Ao olhar com atenção para o outro, pude ver coisas que estavam ali, esperando para despertar, adormecidas.
> Pude enxergar de dentro pra fora e assim, e assim já posso fotografar, não com a câmera, mas com as palavras, enquanto minha câmera dorme na velha bolsa e quando eu a despertar, saberei o que fazer com ela.
> A fotografia pode ser um bisturi, que abre as pessoas, às vezes, ela corta suave, sem dor.
> As vezes ela machuca, mas se doer, na verdade, é porque já doía. Como ferida aberta, mas que escondemos dentro do peito e achamos que ali, esquecida, ela vai sarar….
> Não se deve desperdiçar um peito aberto. Depois de descerrado, se faz necessário esvaziá-lo, afinal a mudança demanda espaço, devemos tirar de lá tudo que for peso e ainda que se lave com lágrimas, um peito aberto é o início do novo. É ver a alma nua, livre das vaidades. É olhar de frente para os medos e também é ver o que temos de mais lindo, a nossa história, nossas origens, nossos sonhos.
>
> A mesma fotografia que corta, que abre, que nos expõe a nós mesmos, também costura, e cura.
> Cicatriza lento e profundo, como as raízes de um baobá.
> A minha fotografia tem missão a cumprir, ela não se contenta apenas em quebrar a monotonia de uma parede ou a ser bela apenas por fora. Ela é orgânica, está viva, ela nasce com um propósito e depois saí por aí, acordando os sonhos, acalentando as saudades, infantilizando os medos, aflorando nas pessoas o que elas têem de mais belo, o seu interior. Se a minha fotografia passar por você, na resista, deixe-se levar, ponham um boa música, escute a fotografia, voe com ela e aí então, ela agora não será mais minha, ela será sua. Enquanto isso eu continuo aqui, esperando a próxima história, esperando o próximo mergulho, cada vez mais fundo e a cada experiência, ao ver o outro, vejo mais a mim mesmo e fico mais inteiro e sigo o meu caminho, sereno, cumprindo a missão maior da nossa vida: Observar, crescer e deixar o mundo melhor do que achamos.