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FOTOGRAFIA GASTRONÔMICA HUMANIZADA GANHA ESPAÇO NAS REDES

Papo de Fotógrafo, 04/11/2026

Imagens que valorizam cores, texturas e características reais dos pratos ajudam a aproximar restaurantes do público

Estar online hoje é se deparar constantemente com uma onda de imagens geradas por inteligência artificial ou manipuladas para causar mais impacto. Essa regra não foge do mundo da gastronomia, onde muitos restaurantes, principalmente os que vendem online, usam ferramentas que alteram o aspecto do alimento para atrair mais clientes.

Com a popularização desses recursos e o uso cada vez mais frequente de edições digitais, porém, a percepção do público também mudou. Se antes essas alterações não chamavam tanta atenção, hoje quem consome em restaurantes demonstra cada vez mais interesse em conhecer o aspecto real dos pratos apresentados.

É justamente nesse movimento que ganha espaço a fotografia gastronômica humanizada, que valoriza a autenticidade de cada estabelecimento e aproxima a imagem divulgada da experiência que o cliente terá ao consumir o produto.

Ao encontrar fotos que apresentam cenários, ingredientes e características visuais o mais próximos possível da realidade, o usuário consegue visualizar o que será servido e imaginar a experiência de consumo.

Dessa forma, diminuem as chances de surpresas ou expectativas irreais, enquanto a confiança no estabelecimento e o desejo de compra podem aumentar.

Como a aparência real dos alimentos influencia o interesse do público

A relação entre as imagens publicadas no feed de um restaurante e o desejo despertado no cliente tem explicações que remontam à origem da espécie humana.

Os primatas não humanos que vivem na natureza avaliam a condição de um alimento encontrado pela cor e pelo brilho. Durante a busca, a visão é o primeiro sentido acionado. Só depois entram o tato, o paladar e o olfato no processo de escolha.

Ao longo da evolução, os ancestrais humanos também passaram a associar o aspecto dos alimentos a características como o sabor e até mesmo o valor calórico de determinado produto.

Essa relação entre aparência e percepção alimentar foi explorada por pesquisadores italianos da International School for Advanced Studies. As nuances entre os tons de vermelho e verde, por exemplo, ajudam a identificar se um alimento está ou não maduro.

Estudos também abordam como o uso de corantes avermelhados pode criar uma falsa percepção de que determinado alimento é mais saboroso. Atualmente, esse efeito pode ser relacionado também às imagens plastificadas ou repletas de alterações digitais, nas quais os alimentos ganham uma aparência distante da realidade.

Afinal, antes mesmo de provar a comida, a expectativa sobre o sabor e a qualidade do alimento é influenciada pelo que os olhos veem.

A busca por autenticidade na fotografia gastronômica

Já que, antes de comer no restaurante, o público come primeiro com os olhos, ter fotos autênticas e reais para as redes sociais de um estabelecimento gastronômico faz toda a diferença.

Imagens vistas como "imperfeitas", com fumaça saindo do prato e textura real dos ingredientes, inclusive nos cortes manuais, permitem que o público crie uma conexão mais real com o estabelecimento.

Além disso, mostrar todos os processos ligados àquele alimento ajuda a valorizar a confiança que o cliente adquire com o local. Fotos do preparo e da finalização dos pratos são formas de mostrar nas redes sociais que os alimentos são preparados por pessoas e tiram a sensação "plastificada" daqueles perfis que postam apenas fotos dos pratos prontos.

O mesmo vale para os ingredientes. Essa sensação de alimentos reais precisa ser destacada por meio das cores, das imperfeições e até dos cenários escolhidos.

Por isso, a fotografia de alimentos exige conhecimento sobre cores, texturas e apresentação dos pratos, habilidades que podem ser exploradas por profissionais com formações distintas, inclusive em uma faculdade de gastronomia.

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Fotografia: Liudmila Chernetska / iStock